sábado, 23 de junho de 2012

Rudd Center e Depoimento de K.L

Assista ao vídeo e leia o depoimento. Se quiser, mande para nós o seu também! 
bonfim.nati@gmail.com


Depoimento – K.L

"Ano de 2002, eu tinha 17 anos. Há mais ou menos dois anos enfrentava o Transtorno Alimentar sem, no entanto, saber o que estava acontecendo comigo direito. Fazia jejuns e abusava de toda sorte de medicamentos. Uma das vezes em que tive que ir ao Pronto Socorro, por ter tomado dezenas de laxantes, fui levada ao Hospital Edmundo Vasconcelos. O médico me atendeu e me liberou em seguida, dizendo simplesmente, para quem me acompanhava: "ela vai desidratar e passar muito mal, daí pode voltar para receber atendimento se estiver muito fraca. Nós não podemos interná-la porque o convênio não cobre doenças psiquiátricas. Se ela estivesse com os sintomas devido a qualquer outro motivo ou condição, tudo bem, mas tendo um quadro de anorexia nervosa nós não podemos fazer nada".

Sempre foi uma briga tremenda para que eu recebesse tratamento adequado em hospitais gerais e para que os procedimentos mais simples pudessem ser feitos. Algumas vezes eu ia parar em algum P.S onde o médico agia de boa vontade e omitia o Transtorno Alimentar no prontuário ou no pedido de internação que era encaminhado ao convênio.

Seria bom se a história parasse por aí, mas não pára, é claro. Dentro de qualquer hospital ainda rolam muitos absurdos no atendimento a quem tem um Transtorno Alimentar. Aconteceu comigo todas as vezes, até mesmo em hospital especializado... que dirá o resto! Vou contar algumas situações.

Hospital São Luiz. Eu estava internada com um quadro grave de desnutrição. Um dos médicos que foi me ver teve a pachorra de fazer o famoso discurso sobre as crianças no mundo todo que passam fome, como se o meu problema fosse falta de sensibilidade com a miséria mundial ou sabe-se lá o que passa na cabeça desta gente!

Hospital Samaritano. Desta vez ouço o seguinte de um médico, a respeito da minha dieta (que óbvio, era transtornada): "se você comesse frutas e legumes, ficaria magrinha e saudável! Você come muito pão e carboidratos em geral, por isso fica banhuda". Eu estava pesando 35kg nesta ocasião e chorei muito... na frente do médico mesmo. Não aguentei. Minha tia, que estava junto, convidou-o cordialmente a se retirar do meu quarto. Acabei fugindo deste hospital... Outro capítulo para, quem sabe, outro post!

Hospital São Paulo. Eu estava com desequilíbrio eletrolítico e tendo crises de contração muscular. Parece uma convulsão, é horrível pra quem vê e é horrível pra quem está tendo - dói horrores. No P.S fizeram uns exames básicos (não mediram os eletrólitos) e me liberaram dizendo que era uma conversão histérica. Voltei pra casa e as contrações continuaram acontecendo no corpo todo. Minha mãe falava pra eu ficar calma, que ia passar, que era "só uma conversão histérica". Quando eu tive coragem de contar dos medicamentos que estava tomando, fui pro hospital de novo, mas aí eu já estava com arritmia cardíaca."