quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo


Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo 
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
                         
            Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997


Que 2011 seja um ano realmente maravilhoso, que vocês tenham sempre coragem, força e disposição para ir em busca das suas realizações e lutar pelo que acreditam.

Abraços da Equipe RISSCA

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Como fazer as pazes com a comida nessas festas

Por Ana Carolina Costa (nutricionista)

Pois é, as festas estão chegando. E, com elas, todos os pratos deliciosos que culturalmente só comemos no Natal ou no Ano-Novo. Seguindo o exemplo de um blog americano que eu adoro ("Weightless", está na lista dos blogs amigos!), gostaria de deixar uma breve mensagem para que todos possam curtir em paz, assim como eu, esse momento do ano tão familiar e festivo.

  1. Você tem o direito de saborear sem culpa sua ceia de Natal e Ano-Novo, pois é só nessa época que você tem panetone, peru, tender e aquela farofinha especial da sua avó.
  2. Você não deve fazer jejum nos dias 24 e 31 para poder se empanturrar à noite, você vai acabar comendo muito mais, vai se frustar por perder o controle e não vai saborear sua refeição dignamente. Não desrespeite a si mesmo.
  3. Pare de comer quando estiver satisfeito, mesmo que isso signifique guardar a fatia daquela torta de nozes maravilhosa da sua tia para o almoço do dia 25 ou do dia primeiro. Você não precisa comer a mais do que seu corpo lhe pede para agradar ninguém.
  4. Aproveite a hora da ceia para se sentar perto daquele primo que você não vê a tempos, aliás, que você viu há exatamente um ano na ceia de Natal passada. Afinal, a boa comida também tem seu papel social importante!

Passem adiante, feliz Natal e até o ano que vem!

 
 
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ATENÇÃO, PESSOINHAS...



CUIDEM-SE!




ASSIM NÃO É BEM MELHOR? =)


FELIZ NATAL! São os votos da EQUIPE RISSCA.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sugestões de leitura para as férias

Curvas Perigosas - Maitena


Com que corpo eu vou? - Joana de Vilhena Novaes


Diário de um magro - Mario Prata


Diário de um magro II - Mario Prata


Só para mulheres - Clarice Lispector


Clube dos Anjos (Gula) - Luis Fernando Verissimo


INFANTIS

Pato magro e pato gordo - Eliardo Franca


Espelho - Suzy Lee

sábado, 11 de dezembro de 2010

meu umbigo?


Por Clarah Averbuck*

pois é, ele não aparece nesta foto. porque eu nem queria mostrar. acabei mostrando. foda-se. mostro muito mais do que o umbigo mesmo. o que me deixou puta foi: umbigo + texto = ok. umbigo - texto = nenhum sentido.

então ficamos aqui com nenhum umbigo, nada na parede e o texto, que é o que importa nesta vida.
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Minha história de peso é uma montanha-russa. Até os treze anos não havia sinal de peitos nesta pessoa que vos fala. Mas eu já tinha minha altura (1.73), era magricela e um pouco complexada, daquelas que usam papel higiênico e meias no sutiã. Um belo dia todos os meus hormônios acordaram e quadris e peitos resolveram nascer e florescer. E nunca mais pararam. Na adolescência propriamente dita eu era praticamente um desenho do Robert Crumb e não era feliz com isso. Até que um amigo me arrumou uma caixa de Inibex - Cloridrato de Anfepramona, uma prima da anfetamina. Emagreci um pouco mas ainda não estava nem magra e nem feliz. O que me fez procurar aquele que chamo de Dr. Boleta. Ele me receitava Inibex como se fosse um chazinho, uma coisa assim corriqueira, sendo que é um remédio perigoso e que vicia. Achei uma maravilha, emagreci rápido, minha cabeça fervihava e eu tinha esbeltos 53kg. Tomei esses medicamentos tempo suficiente (ainda mais misturando com bebida y otras cositas) para me desenvolver um problema no fígado que, voilá, me fez engordar muito mais do que antes, chegando aos 75kg. Nem na gravidez (alguns anos depois) cheguei a esse peso, engordei apenas 8kg, ficando com 73. 75 era um ultraje. Eu já não parecia um desenho do Crumb, parecia uma atriz pornô do Buttman.

Como nessa época eu já não tinha mais o Dr. Boleta por perto tive que recorrer à temida academia. E à alimentação saudável. E nada de álcool - pesadelo! Quando consegui caber nas minhas calças de novo, depois de perder 15kg em 3 meses suando diariamente naquele lugar horrível, onde tive disciplina pela primeira vez da vida, sumi para nunca mais voltar.

Depois disso meu peso variou pouco entre sessentas, até que recentemente tive uma crise devido a um luto. Abusei dos medicamentos prescritos por psiquiatras para minha Psicose Maníaco-Depressiva (preferem chamar de Transtorno Bipolar, mas esse termo não dá a dimensão da doença), não dormia, não comia, não vivia. Cheguei aos 52kg, talvez menos, mas da pior maneira que posso imaginar, me mantendo em mania para não entrar em depressão.

Agora estou equilibrada dentro do meu possível mas ei, alguma coisa temos que tirar das desgraças da vida: não engordei mais. Não sei se meu curto período de insanidade mudou meu metabolismo, só sei que nunca mais engordei. E pretendo continuar assim. Sem excessos e nem crises com banha, equilibrada (nem tanto, às vezes eu finjo) e magra. Sei que essa história não é exemplo para ninguém. Desde quando as minhas são?
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o umbigo?
http://revistacriativa.globo.com/
o texto lá virou aspas. aspas. ou seja, só aqui mesmo. talvez depois no blog. mas sem umbigo nem coxa que eu não estou concorrendo a miss açougue. obrigada.

(foto: renato parada)

Fonte: 

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Recomendamos
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* Clarah Averbuck é escritora, nasceu em Porto Alegre. Iniciou sua trajetória literária na Internet. Em junho de 1998 escreveu pela primeira vez para a Não-til, a revista digital da Casa de Cinema de Porto Alegre. Em julho de 2001 mudou-se para São Paulo, onde começou a escrever sua primeira novela, Máquina de pinball, publicada no ano seguinte. Em setembro de 2001 criou o blog "brazileira!preta", que chegou a ter mais de 1800 acessos diários. Em maio de 2006, voltou a manter um blog, desta vez chamado Adiós Lounge.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Arquivos da Resistência

Diante do espelho

Com muito esforço
abro meus olhos lentamente
para, corajosamente,
enfrentar-me no espelho de novo.

Mas minha imagem é fluída
porque não sou só eu ali
Outra é, ainda,
aquela que desejo discernir.

E ela fala comigo, e sussura,
dizendo-me, como quem jura,
que não é insensatez
querer ser pura outra vez.

E embora fale com ar isento
do que alcançei - um dia - a duras penas
ao me ver enfeitiçada se vai, serena...
...alcançou seu intento...

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Frescuras Aparentes

É fácil julgar
Minhas “frescuras”
Mas vê o fundo, ousa ir lá,
Vê em mim minhas torturas!

Procura saber
O que eu realmente sinto
Sente o que ouço o vento dizer
Desse meu egoísmo faminto!

Minha dor é sozinha e oca,
Lenta, muito lenta,
Não se compreende: fútil ressoa
E de mim me ausenta.

Vai saber o que há
Por trás do que aparenta
Vê meu pesadelo reinar
Dia após dia: experimenta!



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