sábado, 30 de outubro de 2010

"Rodeio" da Interunesp

Por Luciana Caraça

Creio que o sonho de todo pai é ver seu filho ingressar numa universidade renomada, onde supostamente ele terá contato com pessoas de respeito, poderá crescer como pessoa e como profissional. É onde ele dará seu grande salto e fará parte da nata da sociedade, será um profissional reconhecido, requisitado e de futuro bastante promissor, bem como seus colegas.

Como explicar então a recorrência de fatos tão chocantes como o "rodeio das gordas" acontecendo em grandes e respeitadas universidades como a UNESP? Numa sociedade que lutou contra o preconceito racial e conseguiu torná-lo crime, num país que se orgulha da riqueza de diversidades, tem cabimento um ser humano depreciar tanto outro pelo simples motivo da aparência?

Será que os jovens se fecharam num mundinho tão pequeno, sem valores, sem princípios, no qual eles nunca serão punidos porque sempre vai ter alguém pra protegê-los ou porque já perceberam que nem seus pais, nem as autoridades da faculdade ou do país têm pulso firme para fazerem pagar pelo que fizeram?

Não basta ficarmos chocados, não basta fazer ameaças. Deve haver punição. Tem que dar o exemplo. E que exemplo esses jovens obtiveram de outras ocorrências como a que levou um estudante à morte no trote, ou a que intimava a jogarem fezes em homossexuais, entre outras histórias?

Mas agora, cá entre nós, pensamos: o que leva um ser humano a desejar humilhar tanto outro? Ainda que ele sentisse que está "por baixo" e humilhar é uma forma de estar "por cima", a pessoa com princípios, que entende o valor do respeito, que percebe o quanto é asqueroso tal tipo de atitude jamais faria isso.

Teoricamente jovens universitários tiveram boa educação. Mas que educação é essa que ensina a passar no vestibular mas não ensina o respeito ao outro? E a partir de agora? As pessoas vão abrir os olhos e tomar atitudes ou vão esperar que ocorra outro absurdo desse?




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