sábado, 30 de outubro de 2010

"Rodeio" da Interunesp

Por Luciana Caraça

Creio que o sonho de todo pai é ver seu filho ingressar numa universidade renomada, onde supostamente ele terá contato com pessoas de respeito, poderá crescer como pessoa e como profissional. É onde ele dará seu grande salto e fará parte da nata da sociedade, será um profissional reconhecido, requisitado e de futuro bastante promissor, bem como seus colegas.

Como explicar então a recorrência de fatos tão chocantes como o "rodeio das gordas" acontecendo em grandes e respeitadas universidades como a UNESP? Numa sociedade que lutou contra o preconceito racial e conseguiu torná-lo crime, num país que se orgulha da riqueza de diversidades, tem cabimento um ser humano depreciar tanto outro pelo simples motivo da aparência?

Será que os jovens se fecharam num mundinho tão pequeno, sem valores, sem princípios, no qual eles nunca serão punidos porque sempre vai ter alguém pra protegê-los ou porque já perceberam que nem seus pais, nem as autoridades da faculdade ou do país têm pulso firme para fazerem pagar pelo que fizeram?

Não basta ficarmos chocados, não basta fazer ameaças. Deve haver punição. Tem que dar o exemplo. E que exemplo esses jovens obtiveram de outras ocorrências como a que levou um estudante à morte no trote, ou a que intimava a jogarem fezes em homossexuais, entre outras histórias?

Mas agora, cá entre nós, pensamos: o que leva um ser humano a desejar humilhar tanto outro? Ainda que ele sentisse que está "por baixo" e humilhar é uma forma de estar "por cima", a pessoa com princípios, que entende o valor do respeito, que percebe o quanto é asqueroso tal tipo de atitude jamais faria isso.

Teoricamente jovens universitários tiveram boa educação. Mas que educação é essa que ensina a passar no vestibular mas não ensina o respeito ao outro? E a partir de agora? As pessoas vão abrir os olhos e tomar atitudes ou vão esperar que ocorra outro absurdo desse?




quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Terapia familiar... no Ambulim

Terapia familiar é a mais eficaz para tratar anorexia 
FOLHA DE SÃO PAULO, 12/10/2010
Juliana Vines

A terapia familiar é duas vezes mais eficaz no tratamento da anorexia nervosa do que a terapia individual. 

Uma pesquisa da Universidade de Stanford em parceria com a Universidade de Chicago, nos EUA, comparou os dois tipos de tratamentos em 121 pacientes de 12 a 18 anos.
Aqueles que tiveram apoio e acompanhamento de pais e irmãos se recuperaram mais rapidamente e melhor. 

Para Ester Zatyrko Schomer, psicóloga clínica e terapeuta familiar do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas da USP, tratar a família toda é mesmo mais eficaz do que acompanhar apenas o paciente.
"A rotina familiar pode ter relação com a determinação ou a continuidade da doença. Essa é a terapia mais abrangente, porque cada um descobre o que precisa fazer para ajudar."
Uma pessoa com anorexia é capaz de desestabilizar toda a casa. Em geral, quando os pais procuram ajuda para os filhos, eles mesmos já estão precisando de apoio. 

"Eles se sentem impotentes e já estão cansados. Isso gera conflitos, agressões das duas partes e perda do diálogo", diz a médica psiquiatra Maria Angélica Nunes, coordenadora do Grupo de Estudos e Assistência aos Transtornos Alimentares (Geata), de Porto Alegre.
A forma mais comum do tratamento familiar coloca o paciente, irmãos e pais na mesma sessão. A primeira lição que os pais aprendem é que eles não são e nem devem se sentir culpados.

"Há muitas causas para um transtorno alimentar. É impossível falar em culpados. Os pais precisam recuperar a autoestima e a autoridade. Eles são as melhores pessoas para orientar e ajudar os filhos doentes", afirma Liliane Kijner Kern, médica psiquiatra do Programa de Orientação e Assistência a Transtornos Alimentares (Proata) da Unifesp.
Em uma das sessões, por exemplo, todos são convidados a almoçar no consultório. O terapeuta assiste a tudo e apoia os conselhos dos pais para reforçar a autoridade.

ERROS
Segundo Kern, sem orientação, muitas vezes as famílias tomam rumos errados. Há, segundo ela, duas atitudes comuns que só fazem alimentar a doença. A primeira delas é insistir para que o paciente coma.


"É uma guerra sem solução. Os pais tentam argumentar sobre a comida, o número de calorias e não adianta. A doença é sempre mais forte", diz a psiquiatra.
Outro problema é ceder às exigências do paciente. Quem tem um transtorno alimentar tenta controlar a alimentação da família toda e faz chantagens para isso. "Ceder só fortalece o mau comportamento do paciente", explica a médica.
Todos os integrantes da família precisam estar abertos ao diálogo, esquecer as cobranças e fazer acordos.

"Firmamos um acordo sobre como vai ser a alimentação naquela semana, e precisamos da família para fiscalizar se o cardápio está sendo cumprido. É um plano discutido e firmado entre o paciente, o terapeuta e a família. Essa é a maior ajuda que a família pode dar", afirma a nutricionista Fernanda Pisciolaro, da Associação Brasileira paro o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

"Mais minha mãe pedia e menos ainda eu comia"



Seis anos atrás, a professora Renata Lima de Oliveira, então com 19 anos e 59 kg, decidiu que precisava emagrecer. O objetivo era chegar aos 40 kg, mesmo tendo 1,74 m de altura. Com uma dieta radical, em poucos meses ele atingiu 48 kg. Mas ainda não estava satisfeita. "Comecei a provocar vômitos depois que comia. Sentia que ainda estava cheia, então bebia água para vomitar mais."

Durante um ano, sua mãe, Edna Lima de Oliveira, não desconfiou de nada.
"Uma prima descobriu e ameaçou contar tudo. Então, eu mesma contei para minha mãe. Foi horrível. Nossa relação piorou. Não sabia mais como falar com ela. Quanto mais a minha mãe pedia para eu comer, menos ainda eu comia". Contra a vontade, Renata fez 12 sessões de terapia e, quando melhorou, parou. Logo, tudo voltou como era. "A doença era a minha rotina. Comer mal e vomitar fazia parte do cardápio". E nada que sua mãe fazia a ajudava, conta. 

A mãe, Edna, explica que perdeu um filho com leucemia: "Ele queria comer e não conseguia. Eu não me conformava de a Renata poder comer e não querer". Foram quatro anos de desentendimentos. No começo do ano passado, Renata cedeu e procurou ajuda no Hospital das Clínicas. Lá, sua mãe e sua irmã mais velha foram convidadas a participar da terapia. Como o quadro era sério, Renata acabou internada. 

"Com a internação e a terapia, tudo começou a melhorar. A Renata entendeu que precisava de ajuda e nós aprendemos a vigiar sem sufocar", disse a mãe.

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NOSSAS CONSIDERAÇÕES:

TERAPIA FAMILIAR É OUTRA COISA!


Em primeiro lugar, terapia famíliar é um evento dos mais raros nos centros de tratamento. O tratamento, no Ambulim, se dá durante o horário comercial de um dia "normal" da semana e isso já é álibi suficiente para que um dos pais esteja ausente.

Em segundo lugar, é irritante essa terapia familiar com foco na comida. "São feitos acordos e a família inspeciona se a paciente os está cumprindo." "Os pais são incentivados a retomar sua posição de autoridade." Que loucura!  As circunstâncias podem mudar profundamente quando as pessoas se dispõem a mudar, mas essas terapias familiares parecem propor "integrantes não-anoréxicos da família, uni-vos e exorcizai essa anoréxica endemoniada - aleluia!!!". Terapia familiar, na nossa opinião, é outra coisa.

domingo, 24 de outubro de 2010

Aniversário do Grupo Sinto Muito

Hoje o GSM está completando 8 anos!

Para comemorar resgatamos algumas memórias.


Esta foi a lembrancinha do I encontro (2002):



No II encontro (2003) os participantes ganharam um bloquinho de notas com uma mensagem:




E você, também tem lembranças do Grupo Sinto Muito? Conte-nos!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Você tem fome de quê?

Repense a sua relação com a comida e sua forma de lidar com emoções

Nada sobrevive sem se hidratar e sem se nutrir. Do tigre ao cactus, tudo que vive precisa de água e alimento para continuar a viver. Cada ser vivo com suas especificidades, mas com algo em comum: todos nós precisamos ingerir, digerir, metabolizar, converter algo em energia para seguir adiante até o próximo reabastecer.

Além da fome do corpo, temos também outras fomes. Nossa alma tem necessidades que precisam ser nutridas. Quando não respeitamos nosso ritmo biológico nosso corpo dá alertas. E o mesmo ocorre com nossos ritmos mais profundos: muitas vezes passam a gritar para terem alguma atenção. Se não escutamos, a fome permanece e acaba surgindo das maneiras mais tortas possíveis. São as nossas compulsões, o mal-estar, o choro sem razão, misteriosos estouros na pele, as alterações de humor e por aí­ vai. Aquilo a que chamamos desequilí­brio, dor, doença, pode muitas vezes ser um pedido de ajuda interno para que voltemos ao equilíbrio saudável.

Que tipo de fome você quer saciar?

Talvez tenhamos ingerido situações, palavras, sentimentos um tanto indigestos e precisemos metabolizar, ver o que nos cabe e jogar o restante para fora. Talvez haja uma perigosa abstinência de tudo que faz o coração bater mais vivo: amizade, carinho, compartilhar, compreensão, relação. É preciso ouvir para onde cada manifestação aponta: que tipo de fome/sede preciso saciar? Não basta um só copo d´água hoje para matar a sede de amanhã e um único pão também não é o suficiente para nos dar energia para toda a vida. Se teimamos em não nos fazermos essa pergunta fundamental acabamos sem energia, procurando nos saciar naquilo que não nos preenche. Estressados, adoecidos, mantemos escondida a nossa força.

Na vida, não só deixamos de alimentar a alma, como muitas vezes procuramos o alimento no lugar errado. Nunca se falou tanto em obesidade, magreza e distúbios alimentares como em nossos tempos. A obesidade que antes era vista como a comprovação de saúde e de um status daquele que era próspero, hoje é vista com maus olhos, por diversos motivos. A magreza é exaltada e ganha seguidores que fazem de tudo, até apagarem o viço da alma, para seguirem o que é ditado como extremamente desejável. Junto a esse quadro, surgem diversos outros de distúrbios alimentares, demonstrando o descompensar de nossas fomes na atualidade: ou come-se tudo, ou come-se nada. Prazer e culpa ligados ao extremo.

Leia o texto inteiro no Personare.

 Juliana Garcia é psicóloga, psicodramatista e aromaterapeuta. Trabalha em projetos sociais como facilitadora de grupos de mulheres e grupos de reflexão sobre o Feminino em Belo Horizonte e interior de MG.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

CONCURSO CULTURAL

Vivemos numa era cujos padrões de sucesso são cada vez mais inatingíveis. A mídia, a moda, a TV, os filmes, as revistas e a publicidade encarregam-se de que tudo que precisamos "ter" e "ser" sempre nos escorra pelas mãos. É o mercado mais lucrativo: o da insatisfação. E quando se trata de estética, parece existir uma rede ainda mais complexa. As inevitáveis rugas, celulites e estrias tornam-se abomináveis. As curvas, reais e imaginárias, precisam ser combatidas. O tempo e a gravidade são os grandes vilões. Ignore seu biotipo para ter cada parte do corpo conforme o ideal de beleza. Plásticas, botox, dietas, shakes, inibidores de apetite, cosméticos, antifrizz, antirrugas, antissinais, "comedores de gorduras", os arcaicos espartilhos em versões modernas... Precisamos disso? Seremos eternamente consumidores da insatisfação?

É hora do revide, de dar uma resposta!
Crie um slogan para a campanha "Dia de Amar Seu Corpo" e nos ajude a conscientizar mais pessoas acerca do resgate da imensurável autoestima.

VEJA COMO PARTICIPAR NO SITE

As três frases mais votadas serão premiadas com os seguintes kits:

1º Lugar: Livro "Eu, ele e a enfermeira", de Fernanda do Valle, e "Patativas", de Natalia Bonfim, mapa astral Personare, par de brincos de origami NMI, móbile em origami Vivian Takaki grande, colônia e gel antisséptico para as mãos Victoria's Secret, sabonete glicerinado artesanal e pães de mel Rack.

2º Lugar: Livro "Eu, ele e a enfermeira", de Fernanda do Valle, e "Patativas", de Natalia Bonfim, mapa astral Personare, sabonete glicerinado artesanal, pães de mel Rack, par de brincos de origami NMI, móbile em origami Vivian Takaki grande.

3º Lugar: Livro "Eu, ele e a enfermeira", de Fernanda do Valle, e "Patativas", de Natalia Bonfim, sabonete glicerinado artesanal, pães de mel Rack, par de brincos de origami NMI, móbile em origami Vivian Takaki pequeno.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Blogagem coletiva - Dia de Amar Seu Corpo

Provavelmente você conhece alguém que não está satisfeito com o próprio corpo e que gostaria de modificá-lo ou mesmo que já o vem tentando modificar através de dietas malucas, horas e horas na academia, cirurgias plásticas, tratamentos estéticos... Talvez você mesmo seja alguém que esteja fazendo isso!

Pensando nisso, A NOW (National Organization of Women) criou em 1998, nos Estados Unidos, uma campanha chamada Love Your Body Day - um dia inteiro dedicado à autoestima e a amar a si mesmo como se é, deixando de lado a busca para se encaixar em padrões estéticos. No Brasil,  nós da RISSCA e do Grupo Sinto Muito iniciamos nossa participação na segunda edição brasileira do Dia de Amar Seu Corpo e, entre outras atividades, convidamos os blogueiros a uma blogagem coletiva sobre autoestima, amor próprio, estética ou qualquer tema relacionado a amar seu corpo.

A blogagem coletiva foi, no ano passado, uma iniciativa do blog Duplamente Venusiana, que novamente botou as mãos na massa e criou o selo para marcar a blogagem coletiva.

Participe!
Copie o código html e cole no seu blog, 
na sua postagem para o Dia de Amar Seu Corpo.
Avise-nos, nos nossos comentários,
sobre sua postagem, para que ela seja linkada no nosso blog.

"Que seja doce."

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Homenagem ao Dia das Crianças

Janela sobre o corpo

"A Igreja diz: O corpo é uma culpa.
A ciência diz: O corpo é uma máquina.
A publicidade diz: O corpo é um negócio.

O corpo diz: Eu sou uma festa."
Eduardo Galeano

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Salão de Beleza

Agradecemos pelas sugestões de músicas para embalar o "Dia de Amar Seu Corpo" que deixaram nos comentários em "BEAUTIFUL" (clique para conferir o post)! Repararam que a maior parte delas é internacional? Encontramos a música Salão de Beleza, do Zeca Baleiro, cujo clipe é cheio de mulheres brasileiras e reais. Clique aqui para ver o vídeo e ouvir a música.

Eis um trechinho:

"Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição..."