quinta-feira, 23 de setembro de 2010

COMO VOCÊ TRADUZ O QUE O ESPELHO TE MOSTRA?

"Assim como muitas pessoas, fui uma adolescente cheia de complexos: qualquer espinha, por exemplo, era o fim do mundo.

Certo dia, numa conversa com uma psicóloga, ela me pediu que olhasse para minhas mãos e dissesse o que eu via.!"
Com mania de pôr defeito em tudo, eu disse que via mãos de pele alaranjada, com dedos finos e fracos, unha quebrada...
Então ela me falou que eu não devia olhar para minhas mãos assim; eu devia pensar que tenho mãos inteiras, que funcionam, que me são úteis todos os dias, que me possibilitam escrever, comer, calcular, acariciar, gesticular, me apoiar, carregar coisas e também ajudar outras pessoas. É, é realmente difícil imaginar vivermos sem nossas mãos.
Pois é... Quantas vezes você não ouviu ou falou que odeia certa parte do corpo? E quantas pessoas nós já vimos fazer loucuras e arriscar a saúde pra transformar tal parte? Como é fácil esquecermos da maravilhosa "máquina" que somos, com tudo funcionando harmoniosamente! Somos tão complexos que é impossível fabricar algo igual!
Que valores são estes que fazem ferirmos a nós mesmos por mera vaidade - e isso não é coisa recente, nem só da nossa cultura: desde espartilhos quebrando costelas, passando por aneis esticando o pescoço, dentes lixados, pés amarrados e quebrados, plásticas feitas em clínicas duvidosas onde pessoas já morreram nas mesas de cirurgia, homens injetando ADE e óleo (e alguns tendo os braços amputados)... Por que trocar a funcionalidade de um membro por uma vaidade dolorida?
Padrões mudam: o que é belo hoje talvez não seja amanhã, assim como não era ontem. E não acredito num padrão único de beleza, não acredito na ideia de pessoa mais bonita do mundo. A beleza é relativa, cada pessoa tem sua própria opinião sobre isso e essa opinião é facilmente moldada pela mídia. Mas acho que devia ser moldada por cada um de nós.
Não somos bonecos feitos numa fôrma; cada um tem suas características, sua própria proporção. Temos que perceber como nos sentimos melhor e buscar isso. Não devemos nos comparar com os outros e sim com o melhor que podemos ser (tá, isso soa meio clichê, mas é verdade, pense bem). Comparar-se aos outros é anular a própria história, é esquecer a trajetória da sua vida. Ser mãe, passar por uma doença grave, envelhecer, tudo isso traz alterações à nossa aparência. Mas a mudança maior é na nossa mente, é o aprendizado que a experiência traz.
Somos condicionados a achar que felicidade está atrelada a muito dinheiro, a ostentar objetos caríssimos e a ter uma aparência sempre jovem e impecável. Mas na verdade felicidade tem mais a ver com o modo como lidamos com cada acontecimento em nossa vida - ou seja, não está assim tão fora do alcance.


Luciana Caraça tem 27 anos, mora em São Paulo e estuda Engenharia Química na Poli-USP. Integra o Grupo Sinto Muito desde 2003 e pretende trabalhar com alimentos funcionais. Gosta de fitness, musculação, nutrição, é apaixonada por gatos e escreve no blog http://withbetacarotene.blogspot.com/.

4 comentários:

Luticar disse...

óia eu aí hihi!
Tou adorando participar dessa maravilhosa campanha!
Bjos e Abraços!

Nati disse...

Colaboradora Premium ;)

Insana disse...

Eu ainda tenho os meus complexos

bjs
Insana

Joyce Peu disse...

Luciana Caraça, colaboradora premium plus! Texto simples, leve, bonito... VALEU, LU! ^^