quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O que você faria com alguns quilos a menos?

Não sei se estou ficando louca ou se minha percepção está adequada, mas o que vi nesta campanha publicitária que apresenta um novo medicamento que promete eliminar até 30% da gordura ingerida foi um monte de mulher magra dizendo que se emagrecesse uns quilos faria isso ou aquilo. O que mais me chamou a atenção foi que não são mulheres de fato gordas que aparecem na propaganda... Se aquelas mulheres têm que emagrecer pra tomar banho na banheira acompanhada, oh God!, 95% das mulheres de meia idade da minha família e provavelmente da sua só podem se sentir um trapo mesmo.

O tempo todo somos invadidos por esse tipo de mensagem através dos meios de comunicação... Ontem, na sala de espera da minha psicóloga, eu estava folheando uma dessas revistas de fofoca e li que a Cláudia Jimenez disse ao Faustão num desses domingos que na TV os gordinhos não transam, não têm vida sexual... Ela está certa. Acho que foi em "Torre de Babel" que ela fazia par romântico com o Victor Fasano, não?, e em "As Filhas da Mãe" ela conquistou o Gianecchini – não costumo assistir novelas então não sei como esses relacionamentos eram apresentados, mas me parece que quando rola algum affair novelístico que envolve algum gordinho, geralmente é na base da sátira. Corrijam-me se estiver errada. Pra não dizer que é à base da pura zombaria mesmo. Pelo que soube, a saída da Claudia Jimenez daquele programa "Sai de Baixo" se deu também porque ela estava muito mal em razão dos "elogios" relativos a peso que sua personagem Edileuza recebia especialmente do Caco Antibes. Lembrei agora de um episódio de "A Diarista" onde a Marinete ia trabalhar num spa. Lamentei muito ter visto aquilo. Nunca vi tanta ridicularização na minha vida. O tempo todo os gordinhos sendo humilhados, inferiorizados...

Por essas e outras que, apesar de achar a Preta Gil um porre, tenho certa admiração por ela. Duvido que ela esperaria ter alguns quilos a menos pra fazer qualquer coisa na vida!

Voltando à história da propaganda sobre a qual comentei, é inegável que a repercussão desse tipo de mensagem na cabeça de crianças e adolescentes pode ser muito prejudicial. Daqui uns anos vamos ver nossos filhos muito mais noiados com peso do que o que já somos hoje e talvez nem percebamos mais a discriminação contra os gordinhos, na tv e à nossa frente, tão incorporados talvez esses conceitos estejam em nós.

Pra finalizar, lógico que dei uma olhadinha no site do CONAR (Conselho de Autorregulamentação Publicitária), e como não poderia deixar de ser já rolou pau na história daquela propaganda... Por ser produto vendido exclusivamente mediante prescrição médica, a divulgação em veículos de massa é vedada por lei, então não se pode falar o nome do medicamento na propaganda; de qualquer forma a agência deu um jeitinho convidando, ao fim, que o consumidor visite o site cujo endereço é o próprio nome do produto. Os acusadores também apontam que a estrutura do filme não disfarça discriminação contra pessoas obesas.

* Texto originalmente postado em 28/09/2004.

Joyce Peu tem 30 anos, mora em São Paulo e é psicóloga especialista em transtornos alimentares e obesidade. Teve transtorno alimentar não-especificado dos 15 anos até o começo da vida adulta e aos 22 criou o Grupo Sinto Muito.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

COMO VOCÊ TRADUZ O QUE O ESPELHO TE MOSTRA?

"Assim como muitas pessoas, fui uma adolescente cheia de complexos: qualquer espinha, por exemplo, era o fim do mundo.

Certo dia, numa conversa com uma psicóloga, ela me pediu que olhasse para minhas mãos e dissesse o que eu via.!"
Com mania de pôr defeito em tudo, eu disse que via mãos de pele alaranjada, com dedos finos e fracos, unha quebrada...
Então ela me falou que eu não devia olhar para minhas mãos assim; eu devia pensar que tenho mãos inteiras, que funcionam, que me são úteis todos os dias, que me possibilitam escrever, comer, calcular, acariciar, gesticular, me apoiar, carregar coisas e também ajudar outras pessoas. É, é realmente difícil imaginar vivermos sem nossas mãos.
Pois é... Quantas vezes você não ouviu ou falou que odeia certa parte do corpo? E quantas pessoas nós já vimos fazer loucuras e arriscar a saúde pra transformar tal parte? Como é fácil esquecermos da maravilhosa "máquina" que somos, com tudo funcionando harmoniosamente! Somos tão complexos que é impossível fabricar algo igual!
Que valores são estes que fazem ferirmos a nós mesmos por mera vaidade - e isso não é coisa recente, nem só da nossa cultura: desde espartilhos quebrando costelas, passando por aneis esticando o pescoço, dentes lixados, pés amarrados e quebrados, plásticas feitas em clínicas duvidosas onde pessoas já morreram nas mesas de cirurgia, homens injetando ADE e óleo (e alguns tendo os braços amputados)... Por que trocar a funcionalidade de um membro por uma vaidade dolorida?
Padrões mudam: o que é belo hoje talvez não seja amanhã, assim como não era ontem. E não acredito num padrão único de beleza, não acredito na ideia de pessoa mais bonita do mundo. A beleza é relativa, cada pessoa tem sua própria opinião sobre isso e essa opinião é facilmente moldada pela mídia. Mas acho que devia ser moldada por cada um de nós.
Não somos bonecos feitos numa fôrma; cada um tem suas características, sua própria proporção. Temos que perceber como nos sentimos melhor e buscar isso. Não devemos nos comparar com os outros e sim com o melhor que podemos ser (tá, isso soa meio clichê, mas é verdade, pense bem). Comparar-se aos outros é anular a própria história, é esquecer a trajetória da sua vida. Ser mãe, passar por uma doença grave, envelhecer, tudo isso traz alterações à nossa aparência. Mas a mudança maior é na nossa mente, é o aprendizado que a experiência traz.
Somos condicionados a achar que felicidade está atrelada a muito dinheiro, a ostentar objetos caríssimos e a ter uma aparência sempre jovem e impecável. Mas na verdade felicidade tem mais a ver com o modo como lidamos com cada acontecimento em nossa vida - ou seja, não está assim tão fora do alcance.


Luciana Caraça tem 27 anos, mora em São Paulo e estuda Engenharia Química na Poli-USP. Integra o Grupo Sinto Muito desde 2003 e pretende trabalhar com alimentos funcionais. Gosta de fitness, musculação, nutrição, é apaixonada por gatos e escreve no blog http://withbetacarotene.blogspot.com/.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Beautiful

RECOMENDAMOS: 

BEAUTIFUL, CHRISTINA AGUILERA

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Estamos fazendo uma lista de músicas. Quer nos ajudar? Indique, nos comentários, uma música que te lembre o "Dia de Amar Seu Corpo"!

domingo, 19 de setembro de 2010

Encontros de Sábado À Tarde

 

O grupo Encontros de Sábado À Tarde é um desbobramento do Grupo

Sinto Muito e realiza encontros presenciais mensais em São Paulo.


 
Da esquerda à direita: Ju Medeiros, Bia Barbato, Dani Araújo, Rê Pereira, Nati Bonfim e Rê Rossi. Aniversário de 7 anos do Grupo Sinto Muito (24.10.09)

 

Adoraríamos receber a sua visita!

Entre em contato:

contato_encontros@yahoo.com.br

domingo, 12 de setembro de 2010



Projeto de Graduação do curso superior de Gravura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). Criação, direção e produção por Rafael Wensersky.

sábado, 11 de setembro de 2010

Profissão Repórter

Assista OS DESAFIOS DA BALANÇA no Profissão Repórter (14/04/09)
"(...) A repórter Júlia Bandeira passou um mês no ambulatório de transtornos alimentares do Hospital das Clínicas de São Paulo para registrar o dia a dia de pacientes vítimas de anorexia. A repórter Gabriela Lian mostra o outro lado desta história – a obesidade – e acompanha uma paciente durante o processo de cirurgia de redução do estômago. E o desafio do mais novo integrante da nossa equipe: o repórter Felipe Suhre recebe a missão de registrar os altos e baixos de uma jovem de Ribeirão Preto, que sofre de bulimia."

Quem É Normal?



Joyce Peu no Fantástico (19/10/2003)
Confira a reportagem com Fernanda do Valle, "A vida por um fio", autora do livro Eu, ele e a enfermeira.

MORDAÇA - Do abuso infantil à anorexia nervosa



Por: MARCELA ARÔXA - WALMIR MONTEIRO
A partir dos relatos reais feitos por Marcela Arôxa acerca de sua trágica experiência infantil e o desenvolvimento de sua Anorexia Nervosa, o psicólogo existencial Walmir Monteiro faz uma análise bastante profunda do caso Marcela, mostrando como um acontecimento como esse, tão invasor e destrutivo impossibilitou que ela levasse adiante, com normalidade, o seu Projeto de Vida; e mostra ainda como a situação de mordaça que a impedia de falar se relacionou com a sua dificuldade de abrir a boca para os alimentos. O autor revela que Marcela luta para manter-se bem e aponta a importância do apoio familiar para que ela viva a esperança de vitória sobre essa angustiante historicidade, não pemitindo que esse passado de tristezas domine e determine um porvir que já se apresenta tão cheio de felizes possibilidades.

Depoimento Fernanda do Valle

Depoimento Dani Araújo

Ajuda Sem Julgamento

Confira a entrevista completa com Joyce Peu.

Cabeça de Anoréxica

Após depressão e transtorno alimentar, psicóloga cria grupo de apoio online


Dissipada

"Muitas vezes surpreendo-me com o fato de que eu exista, de que meu corpo seja corpóreo, de que minha face seja minha face, que meu nome tenha uma correlação com uma pessoa que eu possa identificar como eu mesma. Mas suponho que não seja tão estranho criar uma colagem de memórias – recortes que substituam uma narrativa lógica, linear. Eu fiz algo muito semelhante comigo mesma."
- Marya Hornbacher

Ditadura da Beleza



Documentário, produzido por Fernanda do Valle, sobre a influência da mídia nos transtornos alimentares. Entrevista com a nutricionista Marle Alvarenga, mestre e doutora em nutrição humana pela USP.