quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Receita de Ano Novo


Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
novo 
até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre.
                         
            Texto extraído do "Jornal do Brasil", Dezembro/1997


Que 2011 seja um ano realmente maravilhoso, que vocês tenham sempre coragem, força e disposição para ir em busca das suas realizações e lutar pelo que acreditam.

Abraços da Equipe RISSCA

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Como fazer as pazes com a comida nessas festas

Por Ana Carolina Costa (nutricionista)

Pois é, as festas estão chegando. E, com elas, todos os pratos deliciosos que culturalmente só comemos no Natal ou no Ano-Novo. Seguindo o exemplo de um blog americano que eu adoro ("Weightless", está na lista dos blogs amigos!), gostaria de deixar uma breve mensagem para que todos possam curtir em paz, assim como eu, esse momento do ano tão familiar e festivo.

  1. Você tem o direito de saborear sem culpa sua ceia de Natal e Ano-Novo, pois é só nessa época que você tem panetone, peru, tender e aquela farofinha especial da sua avó.
  2. Você não deve fazer jejum nos dias 24 e 31 para poder se empanturrar à noite, você vai acabar comendo muito mais, vai se frustar por perder o controle e não vai saborear sua refeição dignamente. Não desrespeite a si mesmo.
  3. Pare de comer quando estiver satisfeito, mesmo que isso signifique guardar a fatia daquela torta de nozes maravilhosa da sua tia para o almoço do dia 25 ou do dia primeiro. Você não precisa comer a mais do que seu corpo lhe pede para agradar ninguém.
  4. Aproveite a hora da ceia para se sentar perto daquele primo que você não vê a tempos, aliás, que você viu há exatamente um ano na ceia de Natal passada. Afinal, a boa comida também tem seu papel social importante!

Passem adiante, feliz Natal e até o ano que vem!

 
 
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ATENÇÃO, PESSOINHAS...



CUIDEM-SE!




ASSIM NÃO É BEM MELHOR? =)


FELIZ NATAL! São os votos da EQUIPE RISSCA.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sugestões de leitura para as férias

Curvas Perigosas - Maitena


Com que corpo eu vou? - Joana de Vilhena Novaes


Diário de um magro - Mario Prata


Diário de um magro II - Mario Prata


Só para mulheres - Clarice Lispector


Clube dos Anjos (Gula) - Luis Fernando Verissimo


INFANTIS

Pato magro e pato gordo - Eliardo Franca


Espelho - Suzy Lee

sábado, 11 de dezembro de 2010

meu umbigo?


Por Clarah Averbuck*

pois é, ele não aparece nesta foto. porque eu nem queria mostrar. acabei mostrando. foda-se. mostro muito mais do que o umbigo mesmo. o que me deixou puta foi: umbigo + texto = ok. umbigo - texto = nenhum sentido.

então ficamos aqui com nenhum umbigo, nada na parede e o texto, que é o que importa nesta vida.
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Minha história de peso é uma montanha-russa. Até os treze anos não havia sinal de peitos nesta pessoa que vos fala. Mas eu já tinha minha altura (1.73), era magricela e um pouco complexada, daquelas que usam papel higiênico e meias no sutiã. Um belo dia todos os meus hormônios acordaram e quadris e peitos resolveram nascer e florescer. E nunca mais pararam. Na adolescência propriamente dita eu era praticamente um desenho do Robert Crumb e não era feliz com isso. Até que um amigo me arrumou uma caixa de Inibex - Cloridrato de Anfepramona, uma prima da anfetamina. Emagreci um pouco mas ainda não estava nem magra e nem feliz. O que me fez procurar aquele que chamo de Dr. Boleta. Ele me receitava Inibex como se fosse um chazinho, uma coisa assim corriqueira, sendo que é um remédio perigoso e que vicia. Achei uma maravilha, emagreci rápido, minha cabeça fervihava e eu tinha esbeltos 53kg. Tomei esses medicamentos tempo suficiente (ainda mais misturando com bebida y otras cositas) para me desenvolver um problema no fígado que, voilá, me fez engordar muito mais do que antes, chegando aos 75kg. Nem na gravidez (alguns anos depois) cheguei a esse peso, engordei apenas 8kg, ficando com 73. 75 era um ultraje. Eu já não parecia um desenho do Crumb, parecia uma atriz pornô do Buttman.

Como nessa época eu já não tinha mais o Dr. Boleta por perto tive que recorrer à temida academia. E à alimentação saudável. E nada de álcool - pesadelo! Quando consegui caber nas minhas calças de novo, depois de perder 15kg em 3 meses suando diariamente naquele lugar horrível, onde tive disciplina pela primeira vez da vida, sumi para nunca mais voltar.

Depois disso meu peso variou pouco entre sessentas, até que recentemente tive uma crise devido a um luto. Abusei dos medicamentos prescritos por psiquiatras para minha Psicose Maníaco-Depressiva (preferem chamar de Transtorno Bipolar, mas esse termo não dá a dimensão da doença), não dormia, não comia, não vivia. Cheguei aos 52kg, talvez menos, mas da pior maneira que posso imaginar, me mantendo em mania para não entrar em depressão.

Agora estou equilibrada dentro do meu possível mas ei, alguma coisa temos que tirar das desgraças da vida: não engordei mais. Não sei se meu curto período de insanidade mudou meu metabolismo, só sei que nunca mais engordei. E pretendo continuar assim. Sem excessos e nem crises com banha, equilibrada (nem tanto, às vezes eu finjo) e magra. Sei que essa história não é exemplo para ninguém. Desde quando as minhas são?
.
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o umbigo?
http://revistacriativa.globo.com/
o texto lá virou aspas. aspas. ou seja, só aqui mesmo. talvez depois no blog. mas sem umbigo nem coxa que eu não estou concorrendo a miss açougue. obrigada.

(foto: renato parada)

Fonte: 

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Recomendamos
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* Clarah Averbuck é escritora, nasceu em Porto Alegre. Iniciou sua trajetória literária na Internet. Em junho de 1998 escreveu pela primeira vez para a Não-til, a revista digital da Casa de Cinema de Porto Alegre. Em julho de 2001 mudou-se para São Paulo, onde começou a escrever sua primeira novela, Máquina de pinball, publicada no ano seguinte. Em setembro de 2001 criou o blog "brazileira!preta", que chegou a ter mais de 1800 acessos diários. Em maio de 2006, voltou a manter um blog, desta vez chamado Adiós Lounge.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Arquivos da Resistência

Diante do espelho

Com muito esforço
abro meus olhos lentamente
para, corajosamente,
enfrentar-me no espelho de novo.

Mas minha imagem é fluída
porque não sou só eu ali
Outra é, ainda,
aquela que desejo discernir.

E ela fala comigo, e sussura,
dizendo-me, como quem jura,
que não é insensatez
querer ser pura outra vez.

E embora fale com ar isento
do que alcançei - um dia - a duras penas
ao me ver enfeitiçada se vai, serena...
...alcançou seu intento...

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Frescuras Aparentes

É fácil julgar
Minhas “frescuras”
Mas vê o fundo, ousa ir lá,
Vê em mim minhas torturas!

Procura saber
O que eu realmente sinto
Sente o que ouço o vento dizer
Desse meu egoísmo faminto!

Minha dor é sozinha e oca,
Lenta, muito lenta,
Não se compreende: fútil ressoa
E de mim me ausenta.

Vai saber o que há
Por trás do que aparenta
Vê meu pesadelo reinar
Dia após dia: experimenta!



Gostaria de enviar um texto, um poema ou um desenho para nós?
Faça como a Marcela e envie para contato_encontros@yahoo.com.br

Inspire-se com os Archives of Resistance! Que tal criarmos o nosso?

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Você supervaloriza a imagem corporal?

Outro dia estava na academia fazendo meus exercícios matinais quando encontrei alguns amigos que conversavam sobre filhos e casamento. Um deles estava muito preocupado com a filha adolescente, que vinha comendo demasiadamente em um dia, enquanto no outro não ingeria nada. Além disso, falou que a menina estava obcecada por ginástica e ele acreditava que estava havendo um excesso de exercícios físicos.

Alertei-o a respeito dos transtornos alimentares, cada vez mais comuns. Este é um problema tão grave que outro dia escutei na rádio que alguns países na Europa estão pensando em criar uma lei que proíbe modelos de emagrecerem a um nível abaixo do considerado saudável por médicos e nutricionistas. O fato de vivermos em uma sociedade baseada em um padrão estético de magreza esquálida gera este tipo de sintoma social, no qual os jovens em formação são os mais atingidos. Mas, afinal de contas, o que são os transtornos alimentares? (...)

Dicas para ajudar a detectar os transtornos alimentares:

Desconfie se a pessoa apresenta comportamentos alimentares estranhos: realiza dietas radicais por um tempo prolongado junto com a valorização extrema da aparência física; acha-se gorda mesmo estando magra; acaba de comer e imediatamente vai para o banheiro e fica algum tempo lá; alterna momentos de compulsão alimentar com momentos de alta restrição alimentar.

Preste atenção na intensidade e frequência com que a pessoa realiza atividades físicas. Principalmente, atividades aeróbicas (focadas na redução de peso e queima de gordura) como a corrida, running class, spinning, entre outras.

Cuidado para que os cuidados com a aparência, o corpo e o peso não se tornem "neurose" pessoal e familiar.

MUITO IMPORTANTE: estranhe se a pessoa apresenta uma distorção grave na percepção do seu próprio corpo. A pessoa já está muito magra e continua vendo-se gorda e tem pavor de engordar, além disso, continua realizando exercícios físicos de maneira excessiva.

Para o tratamento ser realmente eficaz, é preciso a utilização de diferente abordagens terapêuticas (psicoterapia individual, grupo, medicamento, reorientação nutricional, orientação familiar) com diferentes profissionais envolvidos. É necessária uma comunicação clara e trabalho em equipe desses profissionais para que o doente tenha resultados satisfatórios e mais rápidos. É também muito importante que a família esteja presente no tratamento, pois muitas vezes, determinadas idéias e crenças negativas do paciente fazem parte de todo um contexto familiar que está adoecido e precisa ser tratado em conjunto. Se você acha que está passando por uma situação desse tipo, não tenha vergonha e procure ajuda para você e seu familiar doente, pois quanto mais precoce a detecção do problema, melhor as chances de recuperar a saúde de todos na família.

Leia o texto inteiro no Personare.

Rodrigo Garcez é psicólogo com especialização no Tratamento e Prevenção ao Uso Abusivo de Álcool e Drogas. Idealizador do Espaço Despertar - Centro de Psicoterapia Individual e em Grupo, no Rio de Janeiro.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Resultado do Concurso Cultural

As frases mais votadas foram:

1º lugar (158 votos):
Dia de amar seu corpo: 24 horas amando a pessoa mais importante em sua vida: Você mesma.
por: Daniela Serrano, Limeira/SP

2º lugar (143 votos): 
Seja gordinha de felicidade e seja magrinha de tristeza, assim você será gostosamente saudável!
por: Aline Mendes D'Unhão (AlineM), S. José dos Campos/SP

3º lugar (62 votos): 
Amar seu corpo, sem seguir padrões é o princípio da Felicidade!
por: Denise Lumi Torii Anasawa (Deni), Santo André/SP


Parabéns às vencedoras! =)
Entraremos em contato por e-mail para confirmar seus dados.


RESULTADOS:


Eis os prêmios que cada uma receberá:
1º Lugar: Livro "Eu, ele e a enfermeira", de Fernanda do Valle, e "Patativas", de Natalia Bonfim, mapa astral Personare, par de brincos de origami NMI, móbile em origami Vivian Takaki grande, colônia e gel antisséptico para as mãos Victoria's Secret, sabonete glicerinado artesanal e pães de mel.

2º Lugar: Livro "Eu, ele e a enfermeira", de Fernanda do Valle, e "Patativas", de Natalia Bonfim, mapa astral Personare, sabonete glicerinado artesanal, pães de mel, par de brincos de origami NMI, móbile em origami Vivian Takaki grande.

3º Lugar: Livro "Eu, ele e a enfermeira", de Fernanda do Valle, e "Patativas", de Natalia Bonfim, sabonete glicerinado artesanal, pães de mel, par de brincos de origami NMI, móbile em origami Vivian Takaki pequeno.

Agradecemos imensamente a todos os participantes, aos que votaram nas suas frases preferidas e aos que colaboraram com os brindes para o concurso!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Notícias RISSCA

No mês de outubro, na Semana de Conscientização em Transtornos Alimentares, participamos de dois eventos.


No dia 21 Daniela Araújo, Juliana Medeiros e Natalia Bonfim, convidadas por alunos da 7°série do PUERI DOMUS, realizaram debates sobre os padrões impostos pela sociedade e insatisfação corporal. A atividade aconteceu em dois horários.

das 9h às 10h – para alunos dos 7°s e 8°s anos (Ensino Fundamental II)
das 10h às 11h – para alunos dos 9°s anos (Ensino Fundamental II) e 1°s anos (Ensino Médio)





No dia 23 Juliana Medeiros e Natalia Bonfim compareceram às palestras do SE DÊ CONTA, no Instituto de Psiquiatria do HC, ministradas por nutricionistas do GENTA (Grupo de Estudos em Nutrição e Transtornos Alimentares).


sábado, 6 de novembro de 2010

Espelho

Por Paula Vermeersch


Então, você se olha no espelho. E o que vê? Uma moça já com alguns cabelos brancos. Os olhos tristes. Não, a roupa que eu visto não está na última moda. Não, eu não tenho dinheiro pra ir em lojas de grife. Até porque... bem... as roupas de grife não caberiam em mim.

Sim, eu sou mais pra redonda que pra reta. Tenho mais curvas que paralelas. Meu cabelo não é liso. Eu uso óculos. Sou descendente de libaneses, negros, índios, espanhóis, portugueses e um holandês perdido. Não sou uma top model. Não, eu não estou no padrão de beleza atual.


Sim, e eu sofro com isso, claro, como toda mulher. Eu tento me arrumar, dentro do que sou. Compro batom nas Lojas Americanas, e arrumo meu sempre desarrumado cabelo. Às vezes, dói não ser uma moça como as das capas das revistas. E dói não ter grana pra comprar as roupas da moda, como as camisetas de malha leve que estão 100 reais nas lojas mais simples. Eu não tenho tantos sapatos e bolsas assim.

Mas, no final, será que eu não consigo ser bonita? Será que toda mulher, no fundo, não tem um traço de beleza, algo que a faz ser única, o brilho dos olhos, a expressão do sorriso? Será que a doçura do meu caráter não vale nada, no final? Porque toda mulher quer ser bonita pra ser amada.

Lembro que eu era pequenina, dois anos, e observava minha tia se maquiando. Minha tia é muito linda, e eu a adorava, e falei pra ela que ela estava tão bonita que meu tio "ia ficar muito apaixonado". Tão pequena e eu já sabia do cerne do problema: tantas vezes eu me arrumei, me maquiei, escovei meu cabelo, esperando o elogio do outro. Se o elogio do outro viesse, meu coração se aquecia; se não, eu morria um pouco por dentro, e, sim, algumas vezes me disseram que eu era feia, que eu não era atraente, e isso me quebrou inteira.

Hoje, no dia de hoje, eu pus uma camisa nova, uma corrente de ouro que foi da minha mãe, a calça velha de guerra, pra ir trabalhar. Olhei pra dentro dos meus olhos e falei, você é linda.

rmansoorian Creative Commons License

Paula Vermeersch escreve no blog Non, Je ne Regrette Rien  http://nelmezzodelcamino.blogspot.com/

sábado, 30 de outubro de 2010

"Rodeio" da Interunesp

Por Luciana Caraça

Creio que o sonho de todo pai é ver seu filho ingressar numa universidade renomada, onde supostamente ele terá contato com pessoas de respeito, poderá crescer como pessoa e como profissional. É onde ele dará seu grande salto e fará parte da nata da sociedade, será um profissional reconhecido, requisitado e de futuro bastante promissor, bem como seus colegas.

Como explicar então a recorrência de fatos tão chocantes como o "rodeio das gordas" acontecendo em grandes e respeitadas universidades como a UNESP? Numa sociedade que lutou contra o preconceito racial e conseguiu torná-lo crime, num país que se orgulha da riqueza de diversidades, tem cabimento um ser humano depreciar tanto outro pelo simples motivo da aparência?

Será que os jovens se fecharam num mundinho tão pequeno, sem valores, sem princípios, no qual eles nunca serão punidos porque sempre vai ter alguém pra protegê-los ou porque já perceberam que nem seus pais, nem as autoridades da faculdade ou do país têm pulso firme para fazerem pagar pelo que fizeram?

Não basta ficarmos chocados, não basta fazer ameaças. Deve haver punição. Tem que dar o exemplo. E que exemplo esses jovens obtiveram de outras ocorrências como a que levou um estudante à morte no trote, ou a que intimava a jogarem fezes em homossexuais, entre outras histórias?

Mas agora, cá entre nós, pensamos: o que leva um ser humano a desejar humilhar tanto outro? Ainda que ele sentisse que está "por baixo" e humilhar é uma forma de estar "por cima", a pessoa com princípios, que entende o valor do respeito, que percebe o quanto é asqueroso tal tipo de atitude jamais faria isso.

Teoricamente jovens universitários tiveram boa educação. Mas que educação é essa que ensina a passar no vestibular mas não ensina o respeito ao outro? E a partir de agora? As pessoas vão abrir os olhos e tomar atitudes ou vão esperar que ocorra outro absurdo desse?




quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Terapia familiar... no Ambulim

Terapia familiar é a mais eficaz para tratar anorexia 
FOLHA DE SÃO PAULO, 12/10/2010
Juliana Vines

A terapia familiar é duas vezes mais eficaz no tratamento da anorexia nervosa do que a terapia individual. 

Uma pesquisa da Universidade de Stanford em parceria com a Universidade de Chicago, nos EUA, comparou os dois tipos de tratamentos em 121 pacientes de 12 a 18 anos.
Aqueles que tiveram apoio e acompanhamento de pais e irmãos se recuperaram mais rapidamente e melhor. 

Para Ester Zatyrko Schomer, psicóloga clínica e terapeuta familiar do Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares (Ambulim) do Hospital das Clínicas da USP, tratar a família toda é mesmo mais eficaz do que acompanhar apenas o paciente.
"A rotina familiar pode ter relação com a determinação ou a continuidade da doença. Essa é a terapia mais abrangente, porque cada um descobre o que precisa fazer para ajudar."
Uma pessoa com anorexia é capaz de desestabilizar toda a casa. Em geral, quando os pais procuram ajuda para os filhos, eles mesmos já estão precisando de apoio. 

"Eles se sentem impotentes e já estão cansados. Isso gera conflitos, agressões das duas partes e perda do diálogo", diz a médica psiquiatra Maria Angélica Nunes, coordenadora do Grupo de Estudos e Assistência aos Transtornos Alimentares (Geata), de Porto Alegre.
A forma mais comum do tratamento familiar coloca o paciente, irmãos e pais na mesma sessão. A primeira lição que os pais aprendem é que eles não são e nem devem se sentir culpados.

"Há muitas causas para um transtorno alimentar. É impossível falar em culpados. Os pais precisam recuperar a autoestima e a autoridade. Eles são as melhores pessoas para orientar e ajudar os filhos doentes", afirma Liliane Kijner Kern, médica psiquiatra do Programa de Orientação e Assistência a Transtornos Alimentares (Proata) da Unifesp.
Em uma das sessões, por exemplo, todos são convidados a almoçar no consultório. O terapeuta assiste a tudo e apoia os conselhos dos pais para reforçar a autoridade.

ERROS
Segundo Kern, sem orientação, muitas vezes as famílias tomam rumos errados. Há, segundo ela, duas atitudes comuns que só fazem alimentar a doença. A primeira delas é insistir para que o paciente coma.


"É uma guerra sem solução. Os pais tentam argumentar sobre a comida, o número de calorias e não adianta. A doença é sempre mais forte", diz a psiquiatra.
Outro problema é ceder às exigências do paciente. Quem tem um transtorno alimentar tenta controlar a alimentação da família toda e faz chantagens para isso. "Ceder só fortalece o mau comportamento do paciente", explica a médica.
Todos os integrantes da família precisam estar abertos ao diálogo, esquecer as cobranças e fazer acordos.

"Firmamos um acordo sobre como vai ser a alimentação naquela semana, e precisamos da família para fiscalizar se o cardápio está sendo cumprido. É um plano discutido e firmado entre o paciente, o terapeuta e a família. Essa é a maior ajuda que a família pode dar", afirma a nutricionista Fernanda Pisciolaro, da Associação Brasileira paro o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

"Mais minha mãe pedia e menos ainda eu comia"



Seis anos atrás, a professora Renata Lima de Oliveira, então com 19 anos e 59 kg, decidiu que precisava emagrecer. O objetivo era chegar aos 40 kg, mesmo tendo 1,74 m de altura. Com uma dieta radical, em poucos meses ele atingiu 48 kg. Mas ainda não estava satisfeita. "Comecei a provocar vômitos depois que comia. Sentia que ainda estava cheia, então bebia água para vomitar mais."

Durante um ano, sua mãe, Edna Lima de Oliveira, não desconfiou de nada.
"Uma prima descobriu e ameaçou contar tudo. Então, eu mesma contei para minha mãe. Foi horrível. Nossa relação piorou. Não sabia mais como falar com ela. Quanto mais a minha mãe pedia para eu comer, menos ainda eu comia". Contra a vontade, Renata fez 12 sessões de terapia e, quando melhorou, parou. Logo, tudo voltou como era. "A doença era a minha rotina. Comer mal e vomitar fazia parte do cardápio". E nada que sua mãe fazia a ajudava, conta. 

A mãe, Edna, explica que perdeu um filho com leucemia: "Ele queria comer e não conseguia. Eu não me conformava de a Renata poder comer e não querer". Foram quatro anos de desentendimentos. No começo do ano passado, Renata cedeu e procurou ajuda no Hospital das Clínicas. Lá, sua mãe e sua irmã mais velha foram convidadas a participar da terapia. Como o quadro era sério, Renata acabou internada. 

"Com a internação e a terapia, tudo começou a melhorar. A Renata entendeu que precisava de ajuda e nós aprendemos a vigiar sem sufocar", disse a mãe.

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NOSSAS CONSIDERAÇÕES:

TERAPIA FAMILIAR É OUTRA COISA!


Em primeiro lugar, terapia famíliar é um evento dos mais raros nos centros de tratamento. O tratamento, no Ambulim, se dá durante o horário comercial de um dia "normal" da semana e isso já é álibi suficiente para que um dos pais esteja ausente.

Em segundo lugar, é irritante essa terapia familiar com foco na comida. "São feitos acordos e a família inspeciona se a paciente os está cumprindo." "Os pais são incentivados a retomar sua posição de autoridade." Que loucura!  As circunstâncias podem mudar profundamente quando as pessoas se dispõem a mudar, mas essas terapias familiares parecem propor "integrantes não-anoréxicos da família, uni-vos e exorcizai essa anoréxica endemoniada - aleluia!!!". Terapia familiar, na nossa opinião, é outra coisa.

domingo, 24 de outubro de 2010

Aniversário do Grupo Sinto Muito

Hoje o GSM está completando 8 anos!

Para comemorar resgatamos algumas memórias.


Esta foi a lembrancinha do I encontro (2002):



No II encontro (2003) os participantes ganharam um bloquinho de notas com uma mensagem:




E você, também tem lembranças do Grupo Sinto Muito? Conte-nos!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Você tem fome de quê?

Repense a sua relação com a comida e sua forma de lidar com emoções

Nada sobrevive sem se hidratar e sem se nutrir. Do tigre ao cactus, tudo que vive precisa de água e alimento para continuar a viver. Cada ser vivo com suas especificidades, mas com algo em comum: todos nós precisamos ingerir, digerir, metabolizar, converter algo em energia para seguir adiante até o próximo reabastecer.

Além da fome do corpo, temos também outras fomes. Nossa alma tem necessidades que precisam ser nutridas. Quando não respeitamos nosso ritmo biológico nosso corpo dá alertas. E o mesmo ocorre com nossos ritmos mais profundos: muitas vezes passam a gritar para terem alguma atenção. Se não escutamos, a fome permanece e acaba surgindo das maneiras mais tortas possíveis. São as nossas compulsões, o mal-estar, o choro sem razão, misteriosos estouros na pele, as alterações de humor e por aí­ vai. Aquilo a que chamamos desequilí­brio, dor, doença, pode muitas vezes ser um pedido de ajuda interno para que voltemos ao equilíbrio saudável.

Que tipo de fome você quer saciar?

Talvez tenhamos ingerido situações, palavras, sentimentos um tanto indigestos e precisemos metabolizar, ver o que nos cabe e jogar o restante para fora. Talvez haja uma perigosa abstinência de tudo que faz o coração bater mais vivo: amizade, carinho, compartilhar, compreensão, relação. É preciso ouvir para onde cada manifestação aponta: que tipo de fome/sede preciso saciar? Não basta um só copo d´água hoje para matar a sede de amanhã e um único pão também não é o suficiente para nos dar energia para toda a vida. Se teimamos em não nos fazermos essa pergunta fundamental acabamos sem energia, procurando nos saciar naquilo que não nos preenche. Estressados, adoecidos, mantemos escondida a nossa força.

Na vida, não só deixamos de alimentar a alma, como muitas vezes procuramos o alimento no lugar errado. Nunca se falou tanto em obesidade, magreza e distúbios alimentares como em nossos tempos. A obesidade que antes era vista como a comprovação de saúde e de um status daquele que era próspero, hoje é vista com maus olhos, por diversos motivos. A magreza é exaltada e ganha seguidores que fazem de tudo, até apagarem o viço da alma, para seguirem o que é ditado como extremamente desejável. Junto a esse quadro, surgem diversos outros de distúrbios alimentares, demonstrando o descompensar de nossas fomes na atualidade: ou come-se tudo, ou come-se nada. Prazer e culpa ligados ao extremo.

Leia o texto inteiro no Personare.

 Juliana Garcia é psicóloga, psicodramatista e aromaterapeuta. Trabalha em projetos sociais como facilitadora de grupos de mulheres e grupos de reflexão sobre o Feminino em Belo Horizonte e interior de MG.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

CONCURSO CULTURAL

Vivemos numa era cujos padrões de sucesso são cada vez mais inatingíveis. A mídia, a moda, a TV, os filmes, as revistas e a publicidade encarregam-se de que tudo que precisamos "ter" e "ser" sempre nos escorra pelas mãos. É o mercado mais lucrativo: o da insatisfação. E quando se trata de estética, parece existir uma rede ainda mais complexa. As inevitáveis rugas, celulites e estrias tornam-se abomináveis. As curvas, reais e imaginárias, precisam ser combatidas. O tempo e a gravidade são os grandes vilões. Ignore seu biotipo para ter cada parte do corpo conforme o ideal de beleza. Plásticas, botox, dietas, shakes, inibidores de apetite, cosméticos, antifrizz, antirrugas, antissinais, "comedores de gorduras", os arcaicos espartilhos em versões modernas... Precisamos disso? Seremos eternamente consumidores da insatisfação?

É hora do revide, de dar uma resposta!
Crie um slogan para a campanha "Dia de Amar Seu Corpo" e nos ajude a conscientizar mais pessoas acerca do resgate da imensurável autoestima.

VEJA COMO PARTICIPAR NO SITE

As três frases mais votadas serão premiadas com os seguintes kits:

1º Lugar: Livro "Eu, ele e a enfermeira", de Fernanda do Valle, e "Patativas", de Natalia Bonfim, mapa astral Personare, par de brincos de origami NMI, móbile em origami Vivian Takaki grande, colônia e gel antisséptico para as mãos Victoria's Secret, sabonete glicerinado artesanal e pães de mel Rack.

2º Lugar: Livro "Eu, ele e a enfermeira", de Fernanda do Valle, e "Patativas", de Natalia Bonfim, mapa astral Personare, sabonete glicerinado artesanal, pães de mel Rack, par de brincos de origami NMI, móbile em origami Vivian Takaki grande.

3º Lugar: Livro "Eu, ele e a enfermeira", de Fernanda do Valle, e "Patativas", de Natalia Bonfim, sabonete glicerinado artesanal, pães de mel Rack, par de brincos de origami NMI, móbile em origami Vivian Takaki pequeno.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Blogagem coletiva - Dia de Amar Seu Corpo

Provavelmente você conhece alguém que não está satisfeito com o próprio corpo e que gostaria de modificá-lo ou mesmo que já o vem tentando modificar através de dietas malucas, horas e horas na academia, cirurgias plásticas, tratamentos estéticos... Talvez você mesmo seja alguém que esteja fazendo isso!

Pensando nisso, A NOW (National Organization of Women) criou em 1998, nos Estados Unidos, uma campanha chamada Love Your Body Day - um dia inteiro dedicado à autoestima e a amar a si mesmo como se é, deixando de lado a busca para se encaixar em padrões estéticos. No Brasil,  nós da RISSCA e do Grupo Sinto Muito iniciamos nossa participação na segunda edição brasileira do Dia de Amar Seu Corpo e, entre outras atividades, convidamos os blogueiros a uma blogagem coletiva sobre autoestima, amor próprio, estética ou qualquer tema relacionado a amar seu corpo.

A blogagem coletiva foi, no ano passado, uma iniciativa do blog Duplamente Venusiana, que novamente botou as mãos na massa e criou o selo para marcar a blogagem coletiva.

Participe!
Copie o código html e cole no seu blog, 
na sua postagem para o Dia de Amar Seu Corpo.
Avise-nos, nos nossos comentários,
sobre sua postagem, para que ela seja linkada no nosso blog.

"Que seja doce."

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Homenagem ao Dia das Crianças

Janela sobre o corpo

"A Igreja diz: O corpo é uma culpa.
A ciência diz: O corpo é uma máquina.
A publicidade diz: O corpo é um negócio.

O corpo diz: Eu sou uma festa."
Eduardo Galeano

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Salão de Beleza

Agradecemos pelas sugestões de músicas para embalar o "Dia de Amar Seu Corpo" que deixaram nos comentários em "BEAUTIFUL" (clique para conferir o post)! Repararam que a maior parte delas é internacional? Encontramos a música Salão de Beleza, do Zeca Baleiro, cujo clipe é cheio de mulheres brasileiras e reais. Clique aqui para ver o vídeo e ouvir a música.

Eis um trechinho:

"Mundo velho
E decadente mundo
Ainda não aprendeu
A admirar a beleza
A verdadeira beleza
A beleza que põe mesa
E que deita na cama
A beleza de quem come
A beleza de quem ama
A beleza do erro
Puro do engano
Da imperfeição..."

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O que você faria com alguns quilos a menos?

Não sei se estou ficando louca ou se minha percepção está adequada, mas o que vi nesta campanha publicitária que apresenta um novo medicamento que promete eliminar até 30% da gordura ingerida foi um monte de mulher magra dizendo que se emagrecesse uns quilos faria isso ou aquilo. O que mais me chamou a atenção foi que não são mulheres de fato gordas que aparecem na propaganda... Se aquelas mulheres têm que emagrecer pra tomar banho na banheira acompanhada, oh God!, 95% das mulheres de meia idade da minha família e provavelmente da sua só podem se sentir um trapo mesmo.

O tempo todo somos invadidos por esse tipo de mensagem através dos meios de comunicação... Ontem, na sala de espera da minha psicóloga, eu estava folheando uma dessas revistas de fofoca e li que a Cláudia Jimenez disse ao Faustão num desses domingos que na TV os gordinhos não transam, não têm vida sexual... Ela está certa. Acho que foi em "Torre de Babel" que ela fazia par romântico com o Victor Fasano, não?, e em "As Filhas da Mãe" ela conquistou o Gianecchini – não costumo assistir novelas então não sei como esses relacionamentos eram apresentados, mas me parece que quando rola algum affair novelístico que envolve algum gordinho, geralmente é na base da sátira. Corrijam-me se estiver errada. Pra não dizer que é à base da pura zombaria mesmo. Pelo que soube, a saída da Claudia Jimenez daquele programa "Sai de Baixo" se deu também porque ela estava muito mal em razão dos "elogios" relativos a peso que sua personagem Edileuza recebia especialmente do Caco Antibes. Lembrei agora de um episódio de "A Diarista" onde a Marinete ia trabalhar num spa. Lamentei muito ter visto aquilo. Nunca vi tanta ridicularização na minha vida. O tempo todo os gordinhos sendo humilhados, inferiorizados...

Por essas e outras que, apesar de achar a Preta Gil um porre, tenho certa admiração por ela. Duvido que ela esperaria ter alguns quilos a menos pra fazer qualquer coisa na vida!

Voltando à história da propaganda sobre a qual comentei, é inegável que a repercussão desse tipo de mensagem na cabeça de crianças e adolescentes pode ser muito prejudicial. Daqui uns anos vamos ver nossos filhos muito mais noiados com peso do que o que já somos hoje e talvez nem percebamos mais a discriminação contra os gordinhos, na tv e à nossa frente, tão incorporados talvez esses conceitos estejam em nós.

Pra finalizar, lógico que dei uma olhadinha no site do CONAR (Conselho de Autorregulamentação Publicitária), e como não poderia deixar de ser já rolou pau na história daquela propaganda... Por ser produto vendido exclusivamente mediante prescrição médica, a divulgação em veículos de massa é vedada por lei, então não se pode falar o nome do medicamento na propaganda; de qualquer forma a agência deu um jeitinho convidando, ao fim, que o consumidor visite o site cujo endereço é o próprio nome do produto. Os acusadores também apontam que a estrutura do filme não disfarça discriminação contra pessoas obesas.

* Texto originalmente postado em 28/09/2004.

Joyce Peu tem 30 anos, mora em São Paulo e é psicóloga especialista em transtornos alimentares e obesidade. Teve transtorno alimentar não-especificado dos 15 anos até o começo da vida adulta e aos 22 criou o Grupo Sinto Muito.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

COMO VOCÊ TRADUZ O QUE O ESPELHO TE MOSTRA?

"Assim como muitas pessoas, fui uma adolescente cheia de complexos: qualquer espinha, por exemplo, era o fim do mundo.

Certo dia, numa conversa com uma psicóloga, ela me pediu que olhasse para minhas mãos e dissesse o que eu via.!"
Com mania de pôr defeito em tudo, eu disse que via mãos de pele alaranjada, com dedos finos e fracos, unha quebrada...
Então ela me falou que eu não devia olhar para minhas mãos assim; eu devia pensar que tenho mãos inteiras, que funcionam, que me são úteis todos os dias, que me possibilitam escrever, comer, calcular, acariciar, gesticular, me apoiar, carregar coisas e também ajudar outras pessoas. É, é realmente difícil imaginar vivermos sem nossas mãos.
Pois é... Quantas vezes você não ouviu ou falou que odeia certa parte do corpo? E quantas pessoas nós já vimos fazer loucuras e arriscar a saúde pra transformar tal parte? Como é fácil esquecermos da maravilhosa "máquina" que somos, com tudo funcionando harmoniosamente! Somos tão complexos que é impossível fabricar algo igual!
Que valores são estes que fazem ferirmos a nós mesmos por mera vaidade - e isso não é coisa recente, nem só da nossa cultura: desde espartilhos quebrando costelas, passando por aneis esticando o pescoço, dentes lixados, pés amarrados e quebrados, plásticas feitas em clínicas duvidosas onde pessoas já morreram nas mesas de cirurgia, homens injetando ADE e óleo (e alguns tendo os braços amputados)... Por que trocar a funcionalidade de um membro por uma vaidade dolorida?
Padrões mudam: o que é belo hoje talvez não seja amanhã, assim como não era ontem. E não acredito num padrão único de beleza, não acredito na ideia de pessoa mais bonita do mundo. A beleza é relativa, cada pessoa tem sua própria opinião sobre isso e essa opinião é facilmente moldada pela mídia. Mas acho que devia ser moldada por cada um de nós.
Não somos bonecos feitos numa fôrma; cada um tem suas características, sua própria proporção. Temos que perceber como nos sentimos melhor e buscar isso. Não devemos nos comparar com os outros e sim com o melhor que podemos ser (tá, isso soa meio clichê, mas é verdade, pense bem). Comparar-se aos outros é anular a própria história, é esquecer a trajetória da sua vida. Ser mãe, passar por uma doença grave, envelhecer, tudo isso traz alterações à nossa aparência. Mas a mudança maior é na nossa mente, é o aprendizado que a experiência traz.
Somos condicionados a achar que felicidade está atrelada a muito dinheiro, a ostentar objetos caríssimos e a ter uma aparência sempre jovem e impecável. Mas na verdade felicidade tem mais a ver com o modo como lidamos com cada acontecimento em nossa vida - ou seja, não está assim tão fora do alcance.


Luciana Caraça tem 27 anos, mora em São Paulo e estuda Engenharia Química na Poli-USP. Integra o Grupo Sinto Muito desde 2003 e pretende trabalhar com alimentos funcionais. Gosta de fitness, musculação, nutrição, é apaixonada por gatos e escreve no blog http://withbetacarotene.blogspot.com/.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Beautiful

RECOMENDAMOS: 

BEAUTIFUL, CHRISTINA AGUILERA

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Estamos fazendo uma lista de músicas. Quer nos ajudar? Indique, nos comentários, uma música que te lembre o "Dia de Amar Seu Corpo"!

domingo, 19 de setembro de 2010

Encontros de Sábado À Tarde

 

O grupo Encontros de Sábado À Tarde é um desbobramento do Grupo

Sinto Muito e realiza encontros presenciais mensais em São Paulo.


 
Da esquerda à direita: Ju Medeiros, Bia Barbato, Dani Araújo, Rê Pereira, Nati Bonfim e Rê Rossi. Aniversário de 7 anos do Grupo Sinto Muito (24.10.09)

 

Adoraríamos receber a sua visita!

Entre em contato:

contato_encontros@yahoo.com.br

domingo, 12 de setembro de 2010



Projeto de Graduação do curso superior de Gravura na Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP). Criação, direção e produção por Rafael Wensersky.

sábado, 11 de setembro de 2010

Profissão Repórter

Assista OS DESAFIOS DA BALANÇA no Profissão Repórter (14/04/09)
"(...) A repórter Júlia Bandeira passou um mês no ambulatório de transtornos alimentares do Hospital das Clínicas de São Paulo para registrar o dia a dia de pacientes vítimas de anorexia. A repórter Gabriela Lian mostra o outro lado desta história – a obesidade – e acompanha uma paciente durante o processo de cirurgia de redução do estômago. E o desafio do mais novo integrante da nossa equipe: o repórter Felipe Suhre recebe a missão de registrar os altos e baixos de uma jovem de Ribeirão Preto, que sofre de bulimia."

Quem É Normal?



Joyce Peu no Fantástico (19/10/2003)
Confira a reportagem com Fernanda do Valle, "A vida por um fio", autora do livro Eu, ele e a enfermeira.

MORDAÇA - Do abuso infantil à anorexia nervosa



Por: MARCELA ARÔXA - WALMIR MONTEIRO
A partir dos relatos reais feitos por Marcela Arôxa acerca de sua trágica experiência infantil e o desenvolvimento de sua Anorexia Nervosa, o psicólogo existencial Walmir Monteiro faz uma análise bastante profunda do caso Marcela, mostrando como um acontecimento como esse, tão invasor e destrutivo impossibilitou que ela levasse adiante, com normalidade, o seu Projeto de Vida; e mostra ainda como a situação de mordaça que a impedia de falar se relacionou com a sua dificuldade de abrir a boca para os alimentos. O autor revela que Marcela luta para manter-se bem e aponta a importância do apoio familiar para que ela viva a esperança de vitória sobre essa angustiante historicidade, não pemitindo que esse passado de tristezas domine e determine um porvir que já se apresenta tão cheio de felizes possibilidades.

Depoimento Fernanda do Valle

Depoimento Dani Araújo

Ajuda Sem Julgamento

Confira a entrevista completa com Joyce Peu.

Cabeça de Anoréxica